O paradigma do trabalho dos dias de hoje está a mudar, quer queiramos quer não. E se já todos percebemos as implicações que isso está a ter no que toca a questões básicas de regimes laborais como horários, locais de trabalho, flexibilidade e work-life balance (ou a nova tendência do work-life integration), a verdadeira questão que se coloca é: será que estamos preparados para isso?

Após a corrente tendência de artigos como o que o Dinheiro Vivo publicou na passada semana “Não digas a um Millennial para trabalhar das 9 às 5”, é fácil perceber que mudanças estruturais profundas terão que ocorrer para que as estruturas laborais consigam dar resposta ao facto de que até 2020 a população activa será de 50% e 75% em 2025!

Os gaps geracionais registados são tremendos no que toca às valorizações de cada um e por isso é fundamental que os empregadores dos dias de hoje mostrem uma preocupação em adaptar-se a cada um dos seus colaboradores: como manter simultaneamente satisfeitos os colaboradores Millennial e Generation X na mesma empresa de forma equilibrada? As dúvidas levantam-se:

  • Trabalhar em espaço fixo 5 dias por semana ou dividir entre a possibilidade de trabalhar em casa?
  • Horário de trabalho 9h/17h ou em autogestão?
  • Retenção através de Recompensas extrínsecas (salário, segurança e benefícios), intrínsecas (autonomia, oportunidades de desenvolvimento e reconhecimento) ou ambas?
  • Noção de carreira: procura de estabilidade para a vida ou loop em constante mutação?

 

Estas e muitas outras dúvidas assolam as empresas dos dias de hoje, procurando estas fazer um esforço contínuo para assegurar que conseguem ir ao encontro das motivações dos diferentes colaboradores da sua organização. Mas será possível fazê-lo de forma equilibrada e gradual para todos? Ou será que requer profundas mudanças dentro da estrutura para garantir que cada colaborador aceita e integra a nova realidade laboral?

O debate está lançado e é fundamental que cada um de nós reflicta como pode abordar estas questões de forma crítica e gerando soluções adequadas a cada uma das suas realidade, já que cada empresa é diferente e uma organização é um sistema dinâmico; não existe uma fórmula mágica que se possa implementar em todas as empresas, por isso cabe-nos aceitar a mudança que já tem o seu papel preponderante nos dias de hoje e procurar não só ajustar como fazer parte deste processo de transformação!